sábado, 16 de fevereiro de 2008

O Diário de Gil e Cath — fic de qualidade Grillows

Intro:

Quando nada parecia superar o limite de maluquices que “O bolo...A barata...O amor!” impôs no mundo das fics, eis que descobri O Diário de Gil e Cath.” O título já explica a história que é contada através de relatos sofridos e apaixonados que os dois, no aconchego de seus devidos lares (imagino que eles não parem no meio do trabalho e se tranquem no banheiro, chorando, para escrever — se bem que de uma fic dessas eu espero qualquer coisa mesmo), escrevem em seus diários.

Antes da história começar as autoras (foram necessárias duas para fazer isso) nos alertam dizendo que a idéia era meio louca, mas esperava que a gente gostasse. Eu, como leitora, deveria ter levado isso a sério. Elas dizem também que críticas ¹ e elogios são aceitos, então que seja!

Antes, mais uma coisa: a fic começa dois dias antes do aniversário de Griss. Obviamente, ele é apaixonado por Cath e se acha muito covarde para falar; e ela, coitada, sofre com um amor que julga impossível.


Agora, sim, analisando a fic:

1. Não vou falar sobre as inúmeras vezes que achei uma ou outra palavra sem acento e o quanto “eu amo ela” soa ruim e “Ele não pediu para mim ficar.” soa pior ainda!

2. Mas de momentos quase incompreensíveis como o abaixo, vou falar que há vários!

“Hoje, quando eu estava quase saindo do laboratório, estava já a ponto de atravessar a porta e me livra da possível presença física dele, ouso a voz dele.”

3. O ponto alto da festa surpresa de aniversário é quando Griss abre o presente da ausente Catherine e descobre ter ganhado um chaveiro de borboleta. PÁRA TUDO!

"Mas uma coisa me alegrou...o presente dela...era um chaveiro de borboleta...só ela sabia que as borboletas são meus bichos favoritos...até lembro o dia que eu contei isso a ela...estávamos assistindo Discovery Channel na minha casa..."

Se eu fosse homem e uma mulher de meu interesse me desse um chaveiro de borboleta... Não tenho nem palavras! Minha primeira ação seria me jogar da janela. Afinal, é sinal de que ela acha que eu sou, no mínimo, gay! Aliás, gay, não! Uma bicha louca! Que tipo de homem anda por aí com um chaveiro de borboleta, gente?

Griss chamando borboleta de bicho? O Grissom, do CSI que eu vejo, jamais usaria esse tipo de palavra. Jamais! Ele teria um ataque ao ouvir isso.

E que programão, hein? Você tem a mulher do seu interesse na sua casa e você vai fazer o quê? O QUÊ? Assistir ao Discovery Channel! Muito bom! Tanta coisa para falar e você fala o que? "... borboletas são meus bichos favoritos...". Só imagino a cara de “interesse” da Cath ouvindo isso.

4. O que eu gostei dessa fic Grillo é que as autoras não esculacharam a Sara (algumas acabam com a personagem, sempre sem argumento). Por outro lado, a colocaram de uma forma bastante irreal — principalmente em relação ao Grissom:

Catherine saiu da sala e falou que não era nada urgente o que ela tinha para falar, e que depois conversavam. Que droga! Meus planos foram todos por água abaixo. Sara foi me contar que estava apaixonada por Nick. Que queria minha ajuda, pois eles tinha brigado.

Hoje Sara veio conversar comigo sobre Nick. Pediu-me conselhos... Procurei ajudá-la e ao final da conversa, abracei-a confortantemente, e disse-lhe para abrir seu coração.

5. Depois de vários momentos interrompidos e mal-entendidos, finalmente, de uma forma bem romântica, Griss pede a mão de sua amada Cath aos berros, pois ela, como sempre, não parava de falar.

“Quer casar comigo?”. Ela não sabia se ria ou chorava. Então eu fui me aproximando dela e dizendo que ela era a única na minha vida, que Sara era somente uma amiga, que ela era a razão da minha existência e quem eu queria que fosse minha esposa!

6. Então a clássica cena que envolve Lindsay. A cena comovente (lê-se nojenta) e engraçadinha (lê-se tosca) se dá logo depois ao pedido de casamento.

Nos beijamos e percebemos que alguém batia palmas. Olhamos, no alto da escada, Lindsey estava sentada num dos degraus, nos observando.”

7.

Daqui umas 5 horas estaremos embarcando para Paris, que é onde Cath sempre sonhou passar a lua-de-mel. Depois de ficarmos uma semana lá, iremos para Amsterdã. Quero correr com Catherine entre as tulipas, abraça-la, beija-la. Depois daremos uma passadinha na Grécia e por ultimo Portugal. E nosso bebezinho, temos certeza que ele logo chegará. Pelo menos estaremos tentando todos os dias.

Cath e lua-de-mel em Paris? Sempre a achei mais com cara de México, Cuba, Espanha...

Griss correndo com Cath entre as tulipas? Sério?

Bebezinho? Ai, uma Lindsay já basta, cruzes!

8.

[...] nós guardaremos nossos diários. Pois um dia nossos filhos, nossos netos, e cada geração que se seguir irá saber do tamanho do nosso amor e de como ele superou todas as barreiras.
Te amo Cath!Minha princesa amada! – Ass: Gil Grissom.
Te amo Gil!Meu príncipe amado! – Ass: Catherine W. Grissom.

Se eu fosse os filhos ou os netos, eu queimaria algo assim!

Pelo menos, Grissom não a chama de “minha borboleta”. Isso é o fim. FIM. Tanto em fics GSR ou GCR ou whatever.

Pelo menos ela não arriscou em chamá-lo de “meu besouro” ou algo parecido.

Outras partes “interessantes”:

“Seria a mulher mais feliz do mundo se você olhasse para mim apenas um vez...uma única vez...preciso ser amada...preciso me sentir mulher...e só você pode fazer isso por mim.... Feliz aniversário Gil...Seja Feliz!”

— Aposto o quanto ela quer se sentir mulher!

“[...] Eu ate comprei um CD que tinha aquela musica que ela tanto adorava, e que foi a musica que tocou quando a gente dançou pela primeira vez – “Just the Way you are” – [...] Bem, estava preparado, assim que ela entrasse na minha sala eu colocaria o CD, nem esperaria ela falar nada, puxaria ela como naquele dia, e dançaríamos.”

— Quanta atitude! Quase um John Travolta.

“Hoje finalmente tomei coragem. Iria falar com ele. Procuraria ele na sala dele, trancaria a porta e ali ficaríamos conversando por horas e horas, ate resolvermos nosso problema.”

— Eles podem papear a vontade, não há crimes para se resolver em Las Vegas mesmo!

“Amanha a Linds vai apresentar uma peça de teatro. Você que ir? Vai ser lá na escola dela. Por favor, sua presença vai ser muito importante para ela e...também para mim.”Dou um sorriso “Com todo o prazer. Estarei lá!”. Ela me dá um sorriso e entra no carro. Não vejo a hora de chegar amanha. Estar do lado dela, vendo aquela garotinha linda que considero como filha apresentar. Vai ser uma noite e tanto!”

— É, peças teatrais são realmente super empolgantes!

Concluindo.

Não vejo Grissom como um homem de escrever em diários, não. Ele no máximo faz relatórios sobre as mudanças que alguma espécie mostrou ao decorrer dos dias em algum experimento. Tampouco imagino a Cath como uma mulher com Síndrome de Cinderela, trancando seu diário com um cadeadinho fajuto e usando a chavinha em um cordão fino de ouro, pendurada no pescoço. Mas, como eu disse lá no começo, eu espero qualquer coisa de uma fic dessas. Mesmo!

¹ Crítica não é algo necessariamente ruim, embora seja muito usado no sentido pejorativo.

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