— 5 melhores brasileiras
As 5 melhores:
1.
Título: A Nova Garota
Autora: Ket
Para F.R.:
Geralmente, sou contra escrever crítica de um trabalho em progresso. Muita coisa pode acontecer em obras ainda abertas. Entretanto, uma vez que nos foi proposto o desafio de escrever para o Top das melhores ao menos três fanfics em português, não saía de minha mente escrever a respeito de “A Nova Garota”.
A história já começa explorando a psique da personagem principal. Logo nas primeiras linhas, estamos dentro de um dos pesadelos de Sara. O onírico interferindo no real? Sim, mas sem exagero algum. E ela está sozinha esta noite. O que é também bem representativo, não? Sara parece estar sozinha a maior parte do tempo. Apesar finalmente ter Grissom a seu lado, ela não é do tipo que se escora em um homem – nem mesmo no homem que ama – para resolver-se. Mas ela não estará muito tempo mais em sua “solidão”. Alguém entra em sua vida. Sem convite, sem maiores explicações que uma breve carta, uma menina cheia de personalidade está prestes a provocar sérias mudanças no Sara Way of Life.
Este pode nem ser seu tipo de história – como definitivamente não é, a princípio, o meu, ver Sara adotando uma criança, como se sua vida já não tivesse problemas o suficiente – mas tive de dar o braço a torcer. Contrariando todas as expectativas de escrever mais uma história exageradamente emotiva como a maioria das que partem do mesmo plot, a autora conseguiu construir um argumento sólido utilizando-se, com convicção e elegância, do estilo de vida de solteira convicta da CSI workaholic (e vegetariana) mais problemática de Las Vegas.
Nos dez capítulos já publicados, a autora esbanjou total controle, não só do perfil psicológico das personagens de CSI (toda equipe está lá), como também na construção de personagens por ela inseridas.
Até recorri a alguns dos meus livros de crítica literária para ver se deixei escapar alguma coisa: abertura, conflito, plot, caracterização, diálogos, ponto de vista, descrições, formato do texto, gramática, estilo... Nada escapou. A autora tem permanecido impecável em todos os aspectos. Dominando toda a técnica com propriedade, ela segue com esta história cativante, por cujo desfecho mal posso esperar.
Para L.G.B.:
Era uma fic que tinha tudo para ser patética, um nonsense-mór. Mas depois de ter lido o primeiro capítulo e ter ido direto para o segundo, não hesitado em ler o terceiro e estar anciosa esperando uma atualização, não consigo juntar "A Nova Garota" e as palavras "patética" e "nonsense-mór" numa única frase sem me sentir absurda.
Conforme ia lendo, conseguia sentir e ver, de modo perfeito, as cenas que ela descrevia. A parte em que o Griss liga para ela no meio de um corredor apinhado de alunos traduz bem isso. Dava quase para ouvir o murmúrio. Fantástico. Foi uma das melhores perpectivas sobre a Sara que eu já li em fics.
Parabéns!
Só uma coisa: atualiza no Fanfiction.net, assim mais gente poderá ler — algo assim não pode ficar escondido.
(para ler no FF.net, clique aqui).
2.
Título: Atitudes Suspeitas
Autora: Thaty
Por: L.G.B.
Pelo título, logo a princípio, suspeitei que a história se tratasse sobre formas de como o casal da série deixou pistas sobre o relacionamento, mais ou menos como em Geek Love Clues. O que veio após o clique do mouse foi surpreendente.
A autora resolveu fazer seu próprio episódio da série. Não se prendeu a casais e vidas particulares ou dramas envolvendo os mesmos. Ela montou dois casos, dividiu a equipe e deu início a trama que, depois que comecei a ler, não consegui parar até chegar o fim.
Parabéns pela pesquisa, parabéns pela dedicação, parabéns pelo capricho, parabéns pela atitude!
3.
Título: Labirinto
Autora: GrissLittleGirl
Por: L.G.B.
Escrita em meio ao angst GSR na época do 07x23 (até agora, a última aparição de LH), Labirinto se destacou entre as fics que apareceram — a maioria se preocupava demais com o possível angst que poderia resultar em um rompimento entre Sara e Grissom.
A autora não. Ela escreveu de forma excelente a velha Heather nas suas primeiras aparições, cheias de observações e colocações interessantes. Para quem gosta dessa parte, Labirinto é um prato cheio. Além disso, a história toda é interessante e o relacionamente Griss-Sara durante toda a tensão ficou ótima — sem falar nas outras personagens que também tiveram uma destacável participação, colaborando em muito para o andamento da trama.
4.
Título: Na Escola
Autor (a): FBenq
Por: L.G.B.
Como será um legítimo filho Sidle-Grissom? Eu não sei, mas acho que FBenq chegou muito perto, se não exatamente, do jeito que ele seria. Além disso, é fascinante experimentar a mudança pela qual Griss passou por causa da paternidade sem deixar de ser o Grissom que já conhecemos. Embora a Sara não seja uma personagem direta, ela se faz muito presente através do filho.
São poucas as fics Griss-Sara-com-filhos que são realmente boas. Na Escola, uma drabble onde Grissom é chamado pela diretoria da escola de Henry, é uma delas, então corra para ler.
5.
Título: Surpresas
Autora: Suani
Por: L.G.B.
Sara começa a receber presentes de um admirador secreto e resolve compartilhar este segredo com o amigo Nick. O que ela não sabia era que o admirador ou ‘Gentleman’, como assim o batizam e que vai conquistando aos poucos seu coração, é o próprio Nick. Esta brincadeira, porém, acaba deixando-a confusa, já que ela estava afim de um colega do trabalho.
Esta fic é muito boa, simples, engraçada, bonitinha — características do relacionamento Nick-Sara. Além de tudo, é bem curta (não se deixem assustar pelos 10 capítulos). Ideal para um fim de tarde ou quando se quer manter um sorriso bobo no rosto.
— As 5 do outro lado da moeda
As piores fics:
1.
Título: Caminhos do Coração
Autora: Lizzie GSR
Por: L.G.B.
Antes de tudo, vale lembrar que essa fanfiction é continuação de uma outra (link abaixo) onde a noite de amor entre Grissom e Sara resulta numa gravidez, desconhecida por ele, que logo volta para Vegas. Então, uma das personagens mais humanas, se não a mais humana, quando é chamada para ir trabalhar no LVPD, simplesmente larga o filho com o tio e... pronto; sai correndo atrás de homem. Ela só contou a verdade, tempos depois, porque o garoto fica muito doente e, assim, o relacionamento da família se desenvolve em um quarto de hospital. Finalizada esta, começa o nosso objeto de análise: Caminhos do Coração.
A essa altura, Grissom e Sara já têm três filhos, moram em um casarão, tem uma empregada que adora a família e todos os outros CSIs são ‘tios’ das crianças. A verdade é que sempre me pergunto onde essa fic vai parar quando faço a leitura da mesma. Não é que o enredo seja lento. Lento é quando se demora a chegar a algum lugar. O caso dessa fic é que ela não sai do lugar, não tem ponto alto, não há desenvolvimento, é uma eterna crise de família de classe média alta que daria em uma novela das oito (o título já é de uma), provavelmente protagonizada por uma doença que tem como alvo um dos filhos e cheia de frases e ações que atingem o máximo do clichê.
Se não houver um fim próximo, logo teremos outra história sem fim e o ponto mais alto será quando um dos garotos arranjar uma amiguinha. Sara e Grissom, então, farão um jantar e no fim, já no jardim, quando o garoto e a menina trocarem um beijo de despedida, o casal estará com lágrimas nos olhos, dizendo: “Nosso bebê cresceu!”.
2.
Título: Cause I’ll give you my heart
Autora: Pah Black Princess
Por: L.G.B.
O que me fez ler esta fic foi o fato de, no resumo, estar escrito que seria um final para o 8x07 feito por ela. Isso sempre me deixa curiosa. Ao clicar, descobri que se tratava de uma songfic, tendo como tema (Another song) All over again do Justin Timberlake. Okay. Então, logo depois dos primeiros versos da música, começa uma carta escrita por Grissom para Sara, onde em meio a muitos blá blá blás, ele apenas lamenta como não foi bom o suficiente para a amada, como se arrepende disso e como estava disposto a tentar de novo. É bem cansativo pois é o mesmo papo visto em tantas outras fics.
No final, descobrimos que, mais uma vez, Grissom não entregou a carta pessoalmente, nem mesmo a postou. Quem entrega a mensagem a seu destinatário é a Cath, levando junto a notícia de que Grissom havia cometido suicídio. Trágico!
3.
Título: Confissões
Autora: Rakel Sidle
Por: L.G.B.
Vou tentar ser rápida nessa:
Eis que há um vírus no laboratório, pessoas começam a sentir os efeitos, caindo pelos cantos e precisando ficar em isolamento total. Em meio a situação de perigo, todos os sentimentos se afloram: brigas explodem e o amor ganha a cena — até demais.
A fic tem 64 capítulos, tudo bem que são curtos, mas a história é tão chata que cada palavra se transforma em cinco, fazendo parecer que é algo infinito. A autora não formatou cada um deles, logo, há frases que só se completam no seguinte. Se passam vários capítulos só mostrando a briga entre Sara e uma muito ciumenta, quase maníaca, Sofia. Algo muito quinta série. Assim como este exemplo, há vários outros. Alguns outros vários episódios são gastos apenas com história de gravidez e bebês. Não é a toa que a fic tem essa quantidade indecente de capítulos.
As desgraças, claro, não páram de aparecer e a rasgação de seda entre Sara e Grissom é simplesmente vomitável, quase todas as cenas entre eles o são, para dizer a verdade. Não há quem agüente. Desnecessário dizer que em meio a toda essa confusão, cada um encontra sua cara metade e o final é puramente de novela: cheio de crianças berrando e um monte de gente rindo não-sei-de-quê.
4.
Título: Inesquecível
Autora: Suani
Por: L.G.B.
Mais uma vez, um caso distante e, atenção, em uma cidadezinha praiera. O motivo pelo qual Grissom e Catherine foram escolhidos para resolver o assalto não fica bem esclarecido nem mesmo para a autora. Veja bem, logo no início, Cath pergunta: "E porque nos chamaram eu e o Grissom?" e a resposta totalmente sem menor coerência: "Suspeitam que o assaltante/assassino esteja aqui, em Las Vegas". Tá, e aonde isso justifica a ida deles? Tudo bem, dando continuidade e mais um clichê a vista. Griss e Cath vão sozinhos, já que Jim Brass não poderia ir devido a problemas paternos: aparentemente Ellie, a filha que não dá a mínima para o pai, está cobrando-o de ir visitá-la. Indo adiante... Quando os CSIs estavam a um único Km do destino, Brass liga explicando tudo o que havia acontecido na realidade e que o caso já estava resolvido (mas, vem cá, ele não estava visitando a filha, em primeiro lugar?!). Gil e Cath resolvem então passar a noite lá, chegaram ao hotel e por incrível que pareça, há dois quartos separados! Lá pelas tantas, Cath resolve ir encontrar com o amigo na praia. Ah, sim, ele estava de terno. Sentados na areia, sua cabeça apoiada no ombro dele, a mulher solta um grito. Um CARANGUEJO havia subido pelo braço dela. Brecha perfeita para Griss confessar todo seu amor e admiração pela colega e para a mesma chorar e para ambos dançarem, para uma estrela cadente passar e... Então, a verdade: era tudo um sonho que ele sempre tinha e, pelo visto, sempre contava para a esposa, a Sra. Catherine Grissom. O sonho de ambos havia se tornado realidade.
Realmente lindo.
(cof cof cof)
5.
Título: Morte e Vida no Lago
Autora: pinksexy
Por: F.R.
Vamos começar pelos pontos interessantes dessa história: em primeiro lugar a apresentação gráfica. Achei curioso o cuidado extra da autora da história de fazer uma capa para este livro virtual nos mesmos moldes da série de livros originais da franquia. Você bate os olhos na fic e tem uma introdução dessas: parece até que se está mesmo prestes a ler um livro oficial de CSI.
Outra coisa que sempre conta pontos a favor de uma fanfiction de CSI é escrever sobre um caso. E temos lá bastante do que assistimos na série: distribuição e discussão do caso, investigação da cena e varredura do perímetro, autópsias, tudo bonitinho – mesmo que não tão aprofundado – e escrito no formato de roteiro.
Mas nem tão bonitinho porque o caso é hediondo: uma série de assassinatos de mulheres em diversos estágios de gravidez. Péssimo, não? Sim, péssimo, mas prende sua atenção.
É então que começa a fic propriamente dita. Aos cinco minutos do primeiro tempo – nesse jogo cuja prorrogação é mais extensa do que deveria – você já sabe que a autora joga no time que gosta de malhar a Sara. É, leitor, nem precisa adivinhar: Sara está grávida, e entre as próximas vítimas do mais improvável dos serial-killers.
Mesmo que a gente já sinta o que vem pelos próximos parágrafos, previsibilidade não é um defeito tão grave se bem compensado com um desenvolvimento consistente. Sempre dá pra aproveitar as pistas que se oferecem em histórias assim, para preparar o terreno e causar ainda mais impacto quando o que se previu é finalmente exposto, após um crescendo de emoção que finalmente atinge em cheio o leitor no momento chave da história.
Mas nem isso funcionou em MVNL. Ainda no primeiro dos intermináveis capítulos, uma Lady Heather totalmente descaracterizada revela a Sara (seqüestrada e devidamente amarrada) seu maligno plano de conquistar Grissom. Bem assim, sem rodeios nem suspense, nem valium, exatamente como num desenho animado dos anos 80 (dá pra imaginar na mesma hora o Dick Vigarista...).
Para completar o conjunto da obra, MVNL conta com cenas esdrúxulas e incompreensíveis, como quando Grissom, que não ama LH, mas resolve dar a ela a mesma atenção que dera a Sara, repetindo exatamente a mesma “cena de amor” paterno oferecida à amada, se ajoelha diante da barriga de Heather e conversa com o feto. Sim, há aí o conflito da personagem principal, seu senso de justiça/lealdade x amor, mas não é desenvolvido da forma que esperamos que Gilbert Grissom o enfrente. Para um homem bem resolvido como ele, apesar de estar numa situação mais que improvável, a coisa toda nem chegaria a se sustentar como um conflito.
Bem, pra quem também é afeito a uma boa novela mexicana ou romance de banca de jornal, isso não deve ser realmente um problema. Nem eu vou negar que gosto de muita história fluff e hurt/comfort bem carregados. Mas MVNL abusa. Além de tudo, ainda tem um médico com sérios problemas mentais apaixonado pela Sara, que “cuida” dela durante todo o período de sua gestação, em que permanece em cativeiro – num antigo matadouro desativado. Agradável para uma vegetariana, não? – esperando que seu bebê nasça para mata-lo.
Essa é para quem é bastante tolerante a dramas extremados, sacarose e/ou sócio de alguma fábrica de lencinhos (eu quase chorei. Mas a emoção não era bem pela história em si... Fiquei angustiada lendo MVNL até o fim). Mas devo avisar que não é só isso: exagero e erros na pontuação; descuidos gramaticais; descuidos de continuidade (como numa cena em que Catherine e Sara estão no Domínio interrogando LH, e na frase seguinte, Sara está na sala de descanso do laboratório – dando uma choradinha, pra não perder o hábito...); frases longas demais que acabam perdendo o sentido; enfim, uma série de falhas que acabam tornando esta leitura, que já é essencialmente conturbada, algo praticamente não digerível.
Mas, dentre todas as falhas acima mencionadas, acho que o que mais perturba um leitor que realmente mergulhou de cabeça na leitura desta história foi ver Sara, heroína em uma história no estilo mocinha/bandida, diante da arque-inimiga, lhe dizer que está cansada demais para pensar. Essa realmente... terminou com meus lencinhos aqui. Na próxima semana eu volto. Fiquei chocada demais pra dizer algo mais (cabivelmente) incisivo.